Tema – Saúde Mental

Imagina viveres todos os dias com uma preocupação excessiva sobre tudo e todos, sem um motivo aparente. Imagina teres consciência, racionalmente, de que tudo está em ordem na tua vida e que não existe um problema grave para resolver, no entanto, a tua cabeça continua confusa, inquieta. A sensação de bem-estar teima em não chegar e tu teimas em arranjar um motivo para te preocupares, para stressares e para veres problemas onde, na verdade, não existem. 

A isso chama-se Ansiedade.

E uma grande percentagem de portugueses têm-na – sendo que o mais assustador é que os números não param de crescer e em pessoas cada vez mais novas.

Não, não somos só pessimistas, stressados ou uns fracos que “se assustam com tudo”. Não é algo que “há-de passar” ou que um conselho como “não fiques assim, está tudo bem” resolva. Infelizmente não resolve, mas quem nos dera que resolvesse, seria um peso (literalmente) que nos saía de cima. Seríamos livres. 

E como a ansiedade há outras (inúmeras) doenças mentais. Existem e são tão graves e importantes como as doenças físicas. Psicólogos e psiquiatras são tão necessários como os médicos das outras especialidades. A verdade é que tendemos a desvalorizar, tendemos a equiparar um café de amigos com uma terapia. Sabe bem, sim, e é importante, mas não é terapia, muito menos uma cura. Preocupamo-nos com o cancro e não falhamos tratamentos, mas acreditamos que livros de autoajuda e um estilo de vida saudável resolvem a depressão, a ansiedade, os ataques de pânico e tudo o resto que sejam “só coisas da nossa cabeça”. 

Não existe saúde sem saúde mental.

Não existe bem-estar sem o nosso equilíbrio emocional e psicológico. Sem a ausência de pensamentos que nos distorcem a realidade e têm impacto negativo nas nossas rotinas, na nossa consciência e na nossa autoestima. 

Quem tem algum tipo de perturbação não tem porque quer, não escolheu estar nessa condição. Não escolheu lidar com um conjunto de fatores e experiências, todos os dias, que condicionam a sensação de felicidade. 

Infelizmente, ainda são várias as pessoas que evitam pedir ajuda e tentam curar-se sozinhas. Por medo, por vergonha, pela exposição a que estarão sujeitas. Pelos fantasmas que terão de enfrentar. E este medo, esta vergonha, existem porque nos inserimos numa sociedade que nos incute isso. Que nos ensina que doença mental é sinal de fraqueza – não é. É só sinal de que temos algo ao qual temos de estar atentos, dedicar-nos a isso e tratar (ou encontrar estratégias que nos ajudem a lidar com a situação). Tal qual uma doença física, que não é mais nem menos importante. 

Permitam-se mostrarem-se. Cuidem-se, procurem ajuda. Existe, felizmente, um conjunto imenso de profissionais disponíveis para vos receber, ouvir e acompanhar. A doença mental existe, mas a ajuda também. E a todos os que estão à volta: aceitem e não desvalorizem.

Não acontece só aos outros e um dia os outros somos nós.

Texto por Mafalda Monteiro, @mafaldaferreiramonteiro

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